Preço do SSD e da RAM em 2026: comprar agora ou esperar baixar?

Por Vinicius Hertz
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Vale a pena comprar SSD agora? Entenda a crise que triplicou o preço da memória

Você abriu o site da loja para fechar aquele upgrade, olhou o preço do SSD de 1 TB e achou que era erro de digitação. Não era. Quem acompanha hardware no Brasil viu, em poucos meses, componentes que custavam pouco mais de R$ 300 passarem da casa dos R$ 900 — e a memória RAM subiu ainda mais que o armazenamento. É um absurdo o que está acontecendo.

A dúvida que sobra é sempre a mesma: comprar agora ou esperar baixar?

Neste artigo você vai entender o que realmente aconteceu com o preço da RAM e do SSD, por que a inteligência artificial é a culpada direta disso, até quando a alta deve durar segundo quem acompanha o mercado de perto, e — o mais importante — qual é a decisão certa para o seu caso, com três cenários bem definidos de orçamento.

O que aconteceu com o preço da RAM e do SSD

O choque não foi gradual, foi um degrau.

A TrendForce, consultoria que acompanha os preços de contrato da indústria de memória, precisou revisar a própria previsão para cima no começo de 2026: a projeção de alta trimestral da DRAM comum saltou de uma faixa de 55% a 60% para algo entre 90% e 95%, enquanto a da NAND Flash (o chip que forma o seu SSD) passou de 33%–38% para 55%–60%.

Traduzindo: em um único trimestre, o custo da matéria-prima da sua memória praticamente dobrou. E não parou ali — no trimestre seguinte, a expectativa ainda era de mais 58% a 63% na DRAM e de 70% a 75% na NAND.

Nas lojas e ecommerces, isso chegou de forma brutal. A consultoria Counterpoint registrou alta em torno de 110% em módulos DDR4 de 8 GB e de quase 150% em SSDs de entrada de 1 TB sem DRAM logo no primeiro trimestre do ano. E o Brasil ainda leva o agravante do câmbio, dos impostos e do custo de importação — sem contar o ajuste oportunista de quem reprecifica estoque antigo aproveitando a vitrine mais cara.

Um detalhe que quase ninguém comenta: a crise mudou até o que existe na prateleira. Com a crise de 2025–2026, algumas linhas de consumo foram descontinuadas ou tiveram capacidades maiores (como 4 TB) listadas como ‘end of life’, caso da Crucial, enquanto a oferta de SSDs de 2 TB e 4 TB no varejo ficou mais escassa e cara. Ao mesmo tempo, fabricantes como a Kingston mantêm 2 TB e 4 TB em catálogo, mas com preços muito mais altos e disponibilidade irregular. Ou seja: além de mais caro, o SSD grande ficou mais raro.

Por que a inteligência artificial encareceu a peça do seu PC

Aqui entra a parte que vale entender de verdade, porque ela explica por que isso não se resolve sozinho.

Imagine uma fábrica de chips como uma padaria que só tem um forno. Ela pode assar pão francês (memória para PC de consumidor) ou panetone artesanal (memória de alta largura de banda para servidores de IA). O panetone paga cinco vezes mais por fornada. Você faria qual?

É exatamente essa a escolha da indústria. Os fabricantes de DRAM vêm realocando capacidade nova e processos mais avançados para produtos de servidor e para a memória HBM, que alimenta as placas de data center. Sobra menos linha de produção para a memória que vai no seu PC. No armazenamento acontece o mesmo: os SSDs corporativos de alta capacidade estão absorvendo a produção de chips QLC, deixando os fabricantes de SSD de consumidor sem matéria-prima.

O tamanho do aperto aparece no custo de fabricação. Um representante da Kingston declarou à Tom’s Hardware que o custo da memória subiu cerca de 246% do início de 2025 até o início de 2026, e a recomendação da própria fabricante foi clara: quem pensa em fazer upgrade de RAM ou SSD não deveria esperar. Será?

Quando o fabricante do componente sugere que você compre logo, isso diz alguma coisa. Para mim, é óbvio: só compre se você realmente está em uma situação emergencial.

Quanto ainda deve subir — e até quando

Tem uma notícia meio boa no meio disso: o ritmo da alta desacelerou.

A projeção da TrendForce para o terceiro trimestre de 2026 ficou em 13% a 18% de alta na DRAM comum e 10% a 15% na NAND — bem mais lento que os trimestres anteriores. O motivo é quase irônico: os preços de contrato bateram recorde e o comprador de mercado consumidor simplesmente chegou ao limite do que consegue pagar.

Preste atenção na palavra: desaceleração não é queda. Os preços continuam subindo, só que mais devagar. A atualização de contrato de agosto mostrou a DRAM de PC ainda em alta, com aumentos trimestrais indo além do que a própria consultoria esperava, enquanto a NAND deu sinais mais mistos e a pressão sobre SSDs mainstream se mostrou um pouco mais moderada que a da memória.

E o alívio real? Não é para este ano. O presidente-executivo da Apacer, uma das fabricantes do setor, espera que a escassez severa persista pelo menos até meados de 2027, mesmo com o ritmo de aumento arrefecendo no segundo semestre.

Isso muda completamente a lógica de “esperar a promoção”. Você não está esperando um mercado voltar ao normal em dois meses. Você está esperando mais de um ano.

Comprar agora ou esperar? Três cenários

Não existe resposta única. Existe a sua situação. Se enquadre em um destes três:

Cenário 1: você precisa do PC funcionando agora

Compre e ponto final. Trabalho, estudo ou um PC que morreu não esperam ciclo de mercado. O que você pode controlar é a configuração, não o preço:

  • Compre a capacidade que resolve hoje, não a que resolve em 2030
  • Priorize placa-mãe com slots livres para expandir depois
  • Um SSD de 1 TB bom vale mais que um de 2 TB genérico

Cenário 2: você pode esperar seis meses ou mais

Espere — mas sem ilusão. As projeções não apontam queda no curto prazo, então adiar só faz sentido se for para juntar mais dinheiro, não para pegar preço melhor. Nesse período:

  • Acompanhe o preço do modelo específico que você quer, não a média do mercado
  • Aproveite datas de liquidação, que ainda existem mesmo em ciclo de alta
  • Considere que a peça pode simplesmente sair de linha (lembra do corte nos 2 TB e 4 TB?)

Cenário 3: você só quer um upgrade pontual

Avalie se é upgrade ou capricho. Sair de 8 GB para 16 GB de RAM, ou de HD para SSD, muda a vida do PC e se paga rápido. Sair de 32 GB para 64 GB porque “sobrou espaço no slot” é exatamente o tipo de compra que dá pra adiar sem dor nenhuma.

Como gastar menos sem estragar a máquina

Alguns caminhos que funcionam mesmo com o mercado assim:

  • Reaproveite o que você tem. Um SSD SATA antigo ainda serve bem como disco de jogos ou de arquivos, liberando o NVMe para o sistema.
  • Não abaixe a capacidade abaixo do funcional. 8 GB de RAM em 2026 engasga com o Windows e o navegador abertos. Economizar aqui é trocar dinheiro por frustração diária.
  • Desconfie de preço muito abaixo da média. Em época de escassez é quando aparece módulo remarcado e SSD sem DRAM vendido como se fosse topo de linha.
  • Compare o custo por GB, não o preço final. Às vezes o modelo de 1 TB sai proporcionalmente bem mais barato que o de 512 GB.

DDR4 ainda vale a pena?

Se a sua placa-mãe é DDR4, sim. Trocar placa, processador e memória só para migrar para DDR5 custa muito mais do que o ganho real na maioria dos usos. Só que atenção: a DDR4 também subiu e, por estar em fim de ciclo, tende a ficar cada vez mais escassa.

Vale comprar memória ou SSD usado?

Memória usada tem risco relativamente baixo e é testável com ferramentas gratuitas. SSD usado é outra história: ele tem desgaste real, medido em terabytes escritos ao longo da vida. Se for considerar, exija a leitura dos dados SMART do disco antes de fechar negócio.

O que fica disso tudo

A alta da RAM e do SSD não é especulação passageira nem culpa do lojista da esquina: é o efeito direto de uma indústria inteira redirecionando produção para atender data centers de inteligência artificial, com previsão de aperto até pelo menos meados de 2027.

O insight que importa é este: a régua do que é “caro” mudou de lugar. Quem continuar comparando o preço de hoje com o de 2024 vai ficar paralisado esperando um mercado que não volta tão cedo. A decisão inteligente agora não é caçar o preço antigo — é definir com clareza a configuração mínima que resolve o seu uso e comprar isso bem, com peça de procedência.

E você, já sentiu no bolso? Conta nos comentários quanto subiu o componente que você estava de olho — comparar preços reais entre regiões do Brasil ajuda muito mais gente do que parece.

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